Hoje em dia eu posso dizer: sou um jovem cristão carismático. Creio em Deus, em Jesus Cristo, peço a unção do Divino Espírito Santo, tenho em Maria a minha fonte de graças e carrego (a partir de hoje!) a minha Bíblia.
Mas nem sempre foi assim.
E por isso dou aqui, agora, como ponto de partida, o meu testemunho.
A minha vida nunca foi tão desregrada, assim. Quer dizer, eu sempre fui um cara legal, pelo menos desde que eu me propus a isso, lá pelos meus desesseis anos. Sempre tive amigos, sempre estive rodeado de pessoas que gostavam de mim e eu - por que não? - gostava delas. Nunca briguei na rua, nunca cometi crime algum, não tive muitas namoradas, não fui promíscuo, não fui mal-caráter por completo.
Porém, nunca fui santo, também. E sim, eu aprontava das minhas.
Idolatrava pessoas como Charles Bukowski, John Fante (e principalmente seu personagem-alter-ego Arturo Bandini), Kurt Cobain, os "rock stars" e outros caídos em geral. Achava exótica a amargura da vida. Ouvia black metal (não por adorar ao demônio, que eu sempre achei ridículo, mas, e porque, eu achava aquilo tudo muito engraçado). Gostava de pornografia. Fui infiel à minha amada, aquela que ainda hoje batalha ao meu lado e reza pela minha cura, e a quem eu dedico essa renovação. Fui bêbado - por pura e simples vontade de ser. Gostava de beber, gostava da bebida, gostava de perder a noção. Fumei maconha, algumas vezes, por influência de amigos ou de pessoas mais ou menos próximas. Era sarcástico, egocêntrico, egoísta, manipulador (que escondia por trás de uma fachada de "cara legal"), agressivo(mas só com quem discordava de mim), preguiçoso, guloso, e - pior de tudo - indiferente.
Indiferente com tudo. Não ligava para o que sentiam por mim. Não ligava para o que esperavam de mim. Não ligava para o que me diziam, não ligava para o que deveria ligar, para o que poderia me tornar uma pessoa melhor.
Não ligava para Deus.
Não que eu fosse ateu. Quer dizer, eu gostava de ter uma idéia simples da coisa toda: achava que, se Deus existia, ele, por ser magnânimo e perfeito e bom e misericordioso e livre de pecados, haveria de me absolver no final de tudo, afinal de contas, dizia eu, eu era uma pessoa essencialmente boa, e ele não iria me condenar ao inferno só porque eu não O idolatrava, já que isso seria soberba e soberba é um pecado. Por outro lado, se Ele não existisse, eu não me sentiria culpado por ter dedicado a minha vida inteira a um grande monte de nada. Me escondia por trás da frágil denominação de "agnóstico" - o indiferente.
Achava bonita e interessante a liturgia e o ritual litúrgico, como um observador, alguém que admira algo por belo, e apenas isso.
E acreditava que seria sempre assim.
Mas o Senhor age de forma misteriosa.
Eu me apaixonei uma vez, por uma guria. Nós nos conhecemos, batalhamos, e aos trancos e barrancos, após glórias e (MUITAS) provações, nós fizemos 5 anos de namoro. 5 anos que ela os dedicou a mim, mais do que eu os dediquei à ela. 5 anos em que, dia após dia, ela acreditava que, um dia, eu poderia regenerar minha alma e coração tão corrompidos.
E esse dia chegou. E, como sempre acontece nas coisas de Deus, chegou da forma mais estranha possível.
Era uma sexta-feira de maio de 2010. Tinha sido um dia bastante cansativo e estressante no trabalho. Por isso, fui convidado para um happy hour (entende-se por churrasco, bebida e sinuca num boteco ao lado da firma) depois do expediente. Normalmente a namorada brigaria e não permitiria que eu fosse, especialmente sozinho (dado às chagas que ficaram do nosso passado) . Mas naquele dia ela permitiu que eu fosse, e pediu para que eu estivesse de volta até às 20 horas.
Assim, lá eu fiquei, das 17 às 19:45, essencialmente bebendo, jogando e tentando ser, tentando me tornar alguém querido, me encaixando no julgamento dos outros. Acho que todos nós passamos por isso, em algum momento da nossa vida, principalmente quando somos jovens, né? Digo, nós tentamos nos moldar, como se o amor dos outros nos fosse dado de forma condicional, não por nós, mas pela imagem refletida daqueles em nós. É uma forma de idolatria egocêntrica - amar a nossa imagem refletido nos outros.
Quando voltei pra casa, estava ligeiramente alcoolizado. Não estava bêbado, tinha plenas posses das minhas faculdades mentais, mas já apresentava uma (quase) aparente disfunção motora e aquela famosa dislexia na hora de falar. Por isso, fui com medo, medo de brigar com a namorada, de me sentir triste por ter, de novo, falhado com ela (apesar de não ter mentido para ela, ter dito a verdade sobre onde eu estaria, e o que eu estaria fazendo).
Mas qual foi a minha surpresa ao ver que ela tinha se arrumado e estava quase saindo de casa.
Perguntei onde ela iria. Ela me disse que iria ao Grupo de Jovens (Grupo de Oração Anjo Gabriel, daqui de Teutônia); convite que ela já havia me feito algumas vezes, e que eu sempre inventava uma desculpa para não ir.
Mas dessa vez ela não me chamou para ir junto, só disse que iria, e que se eu quisesse podia ir junto.
E eu resolvi ir. Não por que me senti chamado por Deus, ou por que queria me arrepender em expiação dos meus pecados. Resolvi ir para acalmar a namorada, e evitar que ela brigasse comigo.
Mas o que aconteceu lá foi obra de Deus.
Primeiro por que lá eu me senti acolhido. Lá as pessoas me receberam e me abraçaram e me amaram por quem eu era - como Deus me criou, criatura única e própria d'Ele, criado à Sua imagem e semelhança, mas diferente, por alma e espírito, das outras pessoas (assim como somos todos nós). E era exatamente essa pessoa que foi acolhida e amada - o âmago do meu ser, a alma que Deus criou.
Depois, por que lá eu, finalmente, conheci a Deus. Senti Deus. Senti seu Espírito, e o toque das mãos chagadas do Filho no meu coração.
Claro, no início eu me senti acanhado, com todas aquelas pessoas dançando, pulando e correndo no meio da igreja ("incendeia, Senhor a Tua Igreja! Incendeia, Senhor a Tua Igreja!"). Mas quando as pessoas começaram a louvar, quando elas fecharam seus olhos e abriram seus corações, quando exteriorizaram, ali, ao meu redor, as maravilhas que Deus fazia em suas vidas, eu também me senti arrebatado. Eu também fechei os olhos, levantei as mãos e louvei. E as palavras saíam da minha boca, de forma tímida, sim, mas saíam. E eu senti - elas vinham do coração.
E por último, veio a Adoração.
Para quem vê de fora, acha estranho um monte de gente ajoelhada diante do Sacrário, em posições desconfortáveis, falando sem cessar.
Mas para nós, estamos diante do próprio Cristo. Não há dor, não há desconforto, não há tristeza. Há só a graça de Deus, o amor do Pai, ungido pelo Filho (diante de nós) e sacramentado pelo Espírito.
E eu aprendi isso, aquele dia.
E foi lá, também, que eu recebi o convite para o meu primeiro Retiro. Mas eu já estou prolongando demais esse post, e portanto esse será um assunto para outro dia.
O que importa, irmãos e irmãs, é que Deus age sobre nós, e que Ele nos ama, incondicionalmente, não obstante os nossos pecados, pois aquele que se entrega a Deus partilha da Sua Infinita Misericórdia.
E Ele gosta, em especial, de nós, arrependidos, que voltamos aos braços do Bom Pastor.
"Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. (Lc 15, 7)"
Portanto, meus amigos, eu, em testemunho, lhes digo: perseverem na fé em Cristo Ressucitado, que as glórias hão de vir em dobro!
Até a próxima, que Deus esteja convosco.
A Paz!
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"Todas as veredas do SENHOR são misericórdia"
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"Entrou então em si e refletiu: quantos empregados há na casa de me pai, que tem pão em abundância... e eu aqui,estou a morrer de fome! Vou me levantar e irei a meu pai, e lhe direi: Meu pai, pequei conta o céu e contra ti." (Lucas 15, 11-18)
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