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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Você já lutou com Deus hoje?

Amados meus,

Já perceberam que o nosso pior inimigo somos nós mesmos?

Digo isso porque hoje eu reli o meu blog, completamente, palavra por palavra. E lembrei novamente de todo fervor em Cristo que eu tinha há alguns meses atrás, e como anda a minha vida de fé nesses dias de hoje. Percebi o quanto tudo parece ter mudado - como as palavras não brotam mais do meu coração como fizeram outrora, como minha vida de oração parece vazia e praticamente inexistente, como o prazer do pecado parece ter me sucumbido - enfim, como se eu tivesse abandonado a Cristo, como jurei uma vez nunca fazer.

Como minha fraqueza - exposta - confrontou a minha fé.

Porque, "sabemos que a tribulação produz a paciência, a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. E a esperança não engana." (Rm 5, 3b-5a).

E, dessa forma, sem paciência diante das tribulações, nossa fé se esmorece. Sem fé, não há fidelidade e, sem fidelidade na fé, não há esperança.

Há apenas o passado. E o prazer do mundo.

Como é difícil para nós, humanos, viver uma vida de fé, não é verdade?

Quer dizer (e eu nunca vou me cansar de relembrar que): a fé é o fundamento da esperança, é ter certeza absoluta e empírica daquilo que não se pode nem ver (cf. Hb11,1). Mas como é difícil testemunhar e nos deixarmos pautar pelo invisível né?

É quase como que se nós precisássemos de um contrato verbal com Deus, do tipo: "você me abençoa, eu vejo, creio, e vivo por Ti".

Eu pensei, por esses dias, que eu era humano demais para entender.

E, sim, realmente eu sou. Todos nós somos.

Todos mesmos, sem excessão.

Inclusive Jacó.

Vejam:

Jacó ficou só; e alguém lutava com ele até o romper da aurora. Vendo que não podia vencê-lo, tocou-lhe aquele homem na articulação da coxa e esta deslocou-se, enquanto Jacó lutava com ele. E disse-lhe: “Deixa-me partir, porque a aurora se levanta.” “Não te deixarei partir" - respondeu Jacó - "antes que me tenhas abençoado.” Ele perguntou-lhe: “Qual é o teu nome?” “Jacó.” “Teu nome não será mais Jacó, tornou ele, mas Israel, porque lutaste com Deus e com os homens, e venceste.” Jacó perguntou-lhe: “Peço-te que me digas qual é o teu nome.” “Por que me perguntas o meu nome?”, respondeu ele. E abençoou-o no mesmo lugar. Jacó chamou àquele lugar Fanuel: “porque" - disse ele - "eu vi a Deus face a face, e conservei a vida”. O sol levantava-se no horizonte, quando ele passou Fanuel. E coxeava de uma perna. É por isso que os israelitas, ainda hoje, não comem o nervo da articulação da coxa, porque aquele homem tinha tocado nesse nervo da articulação da coxa de Jacó. (Gen 32, 24-32 - grifo nosso)


Perceberam?

Jacó, o herdeiro da promessa de Deus, um dos principais patriarcas, o pai de todo o povo escolhido pelo Senhor, teve que LUTAR com sua própria fé! Teve que lutar, não com com os homens no dia-a-dia (basta ler alguns capítulos atrás pra perceber o quanto Jacó teve que lutar na sua vida), bem assim como eu e vocês, mas também teve que lutar com Deus, face a face!

Também, justamente como eu ou você.

Deus havia se manifestado em toda a sua Glória diante de Jacó, e mesmo assim Jacó duvidou, elaborando um contrato com Deus: "se Deus cumprir a sua promessa, então Ele será o meu Senhor". (cf Gn 28, 11-22)

Pois nós, meus irmão, lutamos com a nossa fé diariamente.

O "homem misterioso" tocou a coxa de Jacó, e ele mancou para o resto da vida; esse é o sinal de Deus para que ele se lembre sempre que, por mais que ele resista e enfrente sua fé, Deus está com ele, Deus cumpriu suas promessas, Deus é maior que as dúvidas e incertezas do caminho.

A coxa de Jacó, que para os demais seria motivo de desespero (imagina: ser manco em uma época em que as pessoas eram nômades, e desse comportamento dependia a sua sobrevivência), para ele era sinal vivo de Deus vivo.

A coxa de Jacó era, pra ele, motivo de alegria: alegria em Deus.

A coxa de Jacó.

O espinho de Paulo.

As vaidades de Davi.

A cruz de Cristo.

A Cruz de Cristo.

Todo sinal de fraqueza é, para Deus, sinal de busca. Busca por Ele.

Quando você parece perder a luta para a sua fé, é nesse momento que Deus te relembra o quão forte é o Seu Amor por ti.

Por isso, meus amados, olha pra tua vida de fé: como ela anda? Forte como fora outrora, ou vazia, como fora antes de você conhecê-Lo? Como anda a tua luta?

Não se esqueça nunca que, por mais que você pareça estar perdendo a luta com a sua fé, assim como o homem não pôde vencer Jacó, as suas fraquezas não são suficientes para vencê-lo.

A única pessoa que pode vencer a luta contra você é o seu pior inimigo.

É você mesmo.

Portanto, coragem! Não se esqueçam, irmãos, que Deus já venceu a batalha da fé por ti, em Cristo, que venceu o mundo (cf. Jo 16,33)! Persevere na luta! Combata com as armas da oração e da eucaristia! Viva em Deus, e por ele serão reveladas todas as coisas!

Funcionou para Jacó.

Funcionará para você também.

Coragem, irmãos!

Até a próxima, que Deus esteja convosco.

A Paz!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Sansão, o fracote

Amados meus!

Hoje minha cabeça trabalhou incessantemente. Hoje minha memória foi vasculhada, meu subconsciente trouxe à tona questionamentos, lembranças e fatos, da minha vida passada e, principal e especialmente, da minha vida atual; coisas que mexeram comigo.

Mexeram comigo por um simples fato: me fez ver e constatar que eu sou fraco.

"Claro", você diz, "todos nós somos fracos - faz parte da condição humana". Sim isso é verdade. Mas a gente acaba não percebendo isso, não visualizando isso no contexto do nosso dia-a-dia, porque nós tendemos à olhar para as nossas vitórias, e esquecer as nossas derrotas, já que perder é ruim e nós, como humanos racionais, buscamos a felicidade (e o mais engraçado é que a felicidade tem nome e sobrenome - Jesus Cristo - mas nós - pelas nossas fraquezas - temos a habilidade única de COMPLICAR tudo, e esconder a felicidade de nós mesmos). Observar as nossas falhas é um exercício ruim, porque nos deixa fracos e expostos. Esconde-las nas nossas vitórias nos faz sentir fortes.

E essa força - atraente que é - é também subversiva: é como uma carapaça que nós vestimos, um exo-esqueleto de um inseto que guarda (de forma frágil, mesmo assim) por fora o corpo molenga e indefeso de dentro.

Isso acaba se tornando fonte de pecados, porque não reconhecemos algumas das nossas piores falhas, e a maquiamos com alguma suposta virtude que teoricamente iria suprimi-las. Mas, na próxima oportunidade (e satanás, ardiloso que é, vai sempre te jogar ao encontro dessas mesmas situações, precisamente), você tropeça na MESMA PEDRA e recomeça todo o caminho - que envolve justificação por vias de falsas escusas, culpas que atribuímos aos outros, mentiras que contamos a nós mesmos, etc.

"Portanto, quem pensa estar de pé veja que não caia." (1Cor 10,12)

Essa pequena falha de caráter é (acredito - e ESPERO) comum a todos nós, homens de carne e sangue (cf. Eclo 14,19), que temos que buscar a Deus e clamar pelo Espírito, afim de que nos tornemos santos como o próprio Deus é santo (cf. Lv 11,44).

Mas isso não é "privilégio" nosso, não. Até mesmo os ungidos do Senhor tinham suas fraquezas.

Porque, na minha humilde opinião, o homem MAIS FRACO de toda a Bíblia era um ungido do Senhor.

Era um dos Juízes de Israel.

Era Sansão.

Porque, por trás de toda a virilidade, toda a força física, toda brutalidade, toda resistência, todos os dons e aspectos que Deus concedeu a ele, existe um homem absurdamente fraco. Fraco nos desígnios de Deus, fraco em resistir às tentações e às privações, fraco nas concessões que ele (e que, em suas devidas proporções, nós também) devia para com o Senhor.

Fraco, porque cedia às suas próprias vaidades.

Vejamos: Sansão foi designado desde o seu nascimento a ser um nazireu (cf. Jz 13,5) - que era uma consagração especial ao Senhor. Sendo consagrado ao nazirato, à ele era proibido beber - afim de manter-se mentalmente são, não sucumbindo à vontades que não viessem do Espírito de Deus -, tocar em cadáveres - para manter-se cerimonialmente puro - e cortar o cabelo - colocando-se assim sujeito a Deus e tendo um sinal visível dessa consagração.

São votos que exigem renúncias ao Senhor - que basicamente é o que ele pede a cada um de nós.

E Sansão não resistiu - a nenhum deles.

Sansão tocou na carcaça de um leão que ele mesmo matara apenas por um POUCO DE MEL (cf. Jz 14,8-9).
Sansão se juntou à outros 30 homens, à parte, durante a sua festa de noivado (cf. Jz 14,10-11) - a famosa "despedida de solteiro" (que naquela época duravam vários dias, à fio) - onde se comia e se bebia - e MUITO. Ora, se ele não bebeu ali, naqueles dias, eu mudo de nome.
Sansão se rendeu ao charme de Dalila, a ponto de entregá-la o "segredo" de sua força (não seus cabelos, mas a sua consagração a Deus - cujo sinal visível era o cabelo cf. Jz 16,15-21) , que culminou com ele tendo seus cabelos cortados.

Sansão cedeu às suas próprias fraquezas - sempre por motivos vãos e pequenos.

Toda aquela força sobre-humana, todos os feitos notáveis, só serviram pra que ele se fiasse EM SI MESMO - e na pequenês dessa fortaleza toda, que é fruto do amor de Deus - e acabasse enterrando essas fraquezas sob o aspecto de homem-de-ferro. Fato notável sobre a vida de Sansão é que ele, em toda sua história, só ora duas vezes: a primeira quando quase morre de sede (em Jz 15,18-19), e na segunda, quando, cativo nas mãos dos filisteus, cego, sem forças e depois de ser traído por Dalila, pede ao Senhor que restituísse sua força para se vingar de tudo que seus inimigos lho fizeram (em Jz 16,28).

Sabe o que acontece? Deus, não obstante suas constantes falhas e faltas contra a Lei, é MISERICORDIOSO com ele. Faz brotar uma fonte de água de uma rocha no primeiro caso e o toma da mesma força que ele tivera no passado para derrubar o templo abaixo e, "desse modo, matou pela sua própria morte muito mais homens do que os que matara em toda a sua vida" (Jz 16, 30).

Deus reconhece a fraqueza do seu ungido. Deus não as aprova, a ponto de deixá-lo depois de ver que ele (me permitindo uma linguagem mais vulgar) "se vendeu por um rabo de saia" (em Jz 16,20). Mas, nos momentos em que, passando por cima do seu orgulho, Sansão MOSTRA A SUA FRAQUEZA diante d'Ele, o Senhor é tomado de profunda COMPAIXÃO. Apesar dos erros de Sansão, Ele derrama as suas graças sobre a sua vida. Ele ouve suas lamentações, e não o abandona.

Amados, nós temos o Espírito do Senhor sobre nós, que nos foi derramado no batismo, graças às promessas de Jesus cumpridas em Pentecostes. Nós, também, somos ungidos do Senhor. Embora sejamos, sim, fracos e derrubados por essas mesmas fraquezas, somos fortes em Cristo, porquanto fomos livrados de todo o peso do mundo por ELE MESMO, quando nos disse "Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei" (Mt 11,28), e que ele cumpriu quando assumiu - qual cordeiro da expiação - todos os nossos pecados e se ofereceu a si próprio em sacrifício, derramando o seu Preciosíssimo Sangue, aspergindo a todos nós e derramando a Sua Infinita Misericórdia sobre as nossas fraquezas.

Ademais, Sansão era um Juíz de Israel. Era uma espécie de líder tribal (já que Israel ainda não havia sido unificada) do povo de Deus, escolhido por Ele para que "será ele quem livrará Israel da mão dos filisteus." (Jz 13,5).

Porém, TODA A SUA MOTIVAÇÃO FOI PESSOAL. Cada filisteu que ele matou, cada um deles, ele o fez não por seu povo, mas por si só, pelas suas próprias vaidades (como em Jz 14, 18-19 no episódio do enigma; Jz 15,3-5 quando ateou fogo aos trigais dos filisteus; Jz 15,6-8 em vingaça por seu pai e esposa, etc. Inclusive, seu ato derradeiro de derrubar o templo dos filisteus e matar mais de 3.000 homens, ele o fez "para vingar-me dos filisteus pela perda de meus olhos" em Jz 16,28).

Sansão não enxergava o bem-comum da sua tribo (a ponto de ser entregue, pelos próprios homens de Judá, aos filisteus, após atear fogo nos trigais, já que eles temiam uma retaliação por parte dos inimigos, cf. Jz 15, 10-13). Aliás, tenho pra mim que Sansão não enxergava muito mais à frente do seu peitoral sarado.

E, no entanto, toda a sua obra foi de valor incalculável para a história do povo de Deus.

Impressionante, né?

Isso porquê, por mais que agisse por si só, ainda assim Sansão era um instrumento de Deus para a Sua obra. Deus se usou da própria vaidade de Sansão para realizar aquilo que Ele queria para seu povo (cf. Jz 13,25 ou 14,2-4, etc.).

Deus olha por cima das nossas fraquezas - ou, melhor, faz DAS NOSSAS FRAQUEZAS ARMAS para o seu combate.

O Espírito do Senhor incitou Sansão (cf. Jz 13,25) a provocar os filisteus. Ele tomou os seus desejos, as suas fraquezas, o seu (uso de novo a liberdade de me expressar de forma vulgar) "tesão" desenfreado (haja vista ele só ter se relacionado com mulheres estrangeiras, o que era proibido pela Lei) e os usou, inspirando-os por essas mesmas faltas, a se levantar contra os inimigos de seu povo e contribuir para que Israel se livrasse das garras dos rivais.

Porque Deus necessita de nós por inteiro.

Com nossas virtudes, proezas, habilidades, etc, mas também com nossas fraquezas, faltas, falhas, medos.

Nunca poderemos nos julgar incapazes de servir a Deus, porque não existe incapacidade diante d'Ele, que é capaz de tornar os nossos próprios pecados em instrumentos de fortaleza - para Deus, para os irmãos e até para nós mesmos. São Paulo mesmo o diz, em 2Cor 12,7.

Por que teríamos medo, se nada é impossível para Deus?

Amados, eu me senti fraco esses dias, sim.

Mas da minha fraqueza surgiram palavras. Palavras que vos exortam a fortalecer-vos no Senhor pelo seu soberano poder (cf. Ef 6,10).

Porque nenhuma fraqueza o apartará do amor de Deus, e nem dos planos maravilhosos que Ele tem pra tua vida.

Até a próxima, que Deus esteja convosco.

A Paz!